Pessoal, eu acho que isso chega a ser um adeus.
Sim, esse é o fim oficial e definitivo da tradução. Não que vocês não suspeitassem que esse fosse o caso, é claro, mas eu queria deixar isso óbvio e exposto, óbvio para qualquer pessoa que no futuro, próximo ou distante, chegue a passar por esse blog.
Em breve eu apagarei minha conta do Google e mudarei as informações do meu e-mail da tradução. Como minha mente funciona de modo curioso e sádico, basta que eu deseje para que eu me esqueça de tudo, fazendo com que o retorno torne-se impossível. Lenta e dolorosamente, as lembranças e detalhes dessa tradução sairão de minha cabeça, até que, num futuro distante, eu possa voltar aqui e enxergar tudo não com os olhos de tradutor, mas com os olhos de uma pessoa que realmente aprendeu muito com isso tudo.
Mas eu acho que devo explicações às poucas pessoas que acompanharam esse blog. Essa é a primeira vez em meses que acesso o site e as estatísticas, e vejo que em quase todos os dias, havia pelo menos um visitante. Se era sempre a mesma pessoa ou não, não tenho idéia, mas se for apenas uma pessoa… Obrigado e desculpe pelo incômodo…
Mas então, o motivo de ter parado a tradução foi, principalmente, de caráter médico. Eu tive problemas frequentes e dolorosos durante os primeiros onze meses de 2009 e grande parte de 2008 (não quero entrar em detalhes, pois essa era a premissa ao adotar um pseudônimo). No pico dos meus problemas, era comum ouvir, conforme eu andava, o barulho de remédios numa pequena caixa metálica em meu bolso, independente de onde eu estivesse: em casa, no trabalho ou mesmo nos poucos momentos descanso.
Sim. Durante mais de um ano eu tive que viver ao lado de remédios que a cada vez que eu tomava, ficavam menos e menos efetivos… Não que eles realmente acabassem com o problema. Apenas empurravam para outro dia.
Mas não se preocupem, nunca houve risco de vida… Felizmente.
Então, depois de uma série de eventos, no mínimo, curiosa e trágica, lá pelo meio de março de 2009, eu simplesmente cheguei à conclusão de que… Eu não queria fazer mais isso. Eu não enxergava mais um motivo para continuar traduzindo. Claro, eu queria ajudar na preservação ambiental, mas eu não enxergava mais motivo para trabalhar especificamente numa tradução. Todo dia eu me lembrava do meu problema e de como ninguém conseguia descobrir o que realmente era aquilo que eu tinha, juntando com o curioso e trágico incidente e com meu ambiente de trabalho em que eu sofria tanto, eu cheguei a conclusão simples de que eu tinha mais o que fazer na vida, muitos problemas para lidar, e que não mais tinha a menor intenção de passar o pouco tempo de vida típico da espécie Homo sapiens sapiens traduzindo um livro de alguém, mesmo esse alguém tendo me influenciado profundamente e muitas pessoas incríveis que conheci no decorrer dessa tradução. Eu tinha que enfrentar muitos problemas em minha vida.
Ou seja, eu simplesmente percebi que… Eu tinha mais o que fazer… Mas eu ainda desejava deixar uma marca nesse mundo. Foi então que eu percebi que grande parte do meu desejo de traduzir esse livro vinha desse simples fato: eu queria sobreviver à minha própria morte (não, eu não vou morrer em breve). Eu estava usando essa tradução, muitas vezes, como proteção psicológica, o que nunca foi saudável.
Não muito tempo depois, eu me envolvi numa atividade que eu considerei muito mais importante, tanto para minha saúde, quanto para meu equilíbrio mental… E posso dizer agora que sou feliz. Eu não mais sou apenas um transmissor de conhecimento, mas sim um gerador.
Então, eu posso dizer agora. Eu desisto da tradução, e não tenho a menor intenção de voltar a ela. Nunca mais. Isso não é um hiato ou a espera pela continuação, é um ponto final nesse livro. Mas, em seu lugar, existe um projeto que julgo muito mais importante e benéfico… Tanto que, afinal, esse projeto foi, talvez, a maior e melhor decisão da minha vida até agora, e foi o que me ajudou a descobrir a força dentro de mim para me livrar de minha enfermidade. Sim, agora eu estou bem e não mais preciso sair por aí com remédios no bolso, mesmo ainda tendo que aguentar certos resquícios dessa enfermidade… E mesmo tendo que ter uma vida relativamente restrita e cuidadosa. Posso ter uma existência quase normal novamente, de modo que eu chego perto de parecer ser gente, para o desprazer e prazer de muita gente… Mas isso não quer dizer que voltarei ao Last Chance. Não, ao contrário, minha atenção pode finalmente permanecer no outro projeto que tanto valorizo.
Isso é um adeus. Nunca mais vocês ouvirão de Baiji, e se alguém disser que sou eu, esse ser é um mentiroso descarado… Se alguém disser que me conhece, essa pessoa também é uma mentirosa descarada (teoricamente, vocês não possuem modo de saber se quem escreveu isso é ou não o Baiji. Tudo o que posso lhes dizer, com segurança, é que, ao criar um pseudônimo para uma tradução, eu menti muito para muitas pessoas). Não pretendo mais checar os e-mails, mas talvez eu até dê uma olhada nos comentários, uma vez por ano. Não se preocupem, o blog ficará aqui como uma memória de tudo o que se passou… E também estará aqui tudo o que traduzi. Sim, ao final dessa postagem, vocês encontrarão o rascunho da tradução, com todos os erros que não corrigi e trechos que deixei para traduzir mais tarde… Inalterado há meses… Sim, há quase que uma beleza poética nisso…
Vocês podem fazer o que bem entenderem com isso: tirar meu nome do arquivo, alterá-lo, colocar em sites de compartilhamento, citar trechos ou colocar em seu site/blog. Eu não ligo.
Ah, e mais uma coisa. Por que eu esperei tanto tempo para postar isso… Bem, eu tinha que conseguir a disposição e a resposta definitiva para certas perguntas. E… Bem, eu tinha que esperar uma certa coisa acontecer, para que uma promessa de muito tempo atrás fosse cumprida… Bem, o dia em que escrevi isso (15 de Janeiro) marca o grande dia (para mim, pelo menos) para o projeto que citei anteriormente (isso está agendado para ser postado automaticamente no dia 25 de Janeiro). Ele está amadurecido o suficiente, e o efeito que ele pode ter para muitas pessoas… Pode ser algo bom, acho, mas de modo algum imediato. Algo bom o suficiente para que eu cumpra a promessa, mesmo sem fazê-la como eu e a outra pessoa esperava… Uma trapaça, talvez alguns digam, mas é o que me satisfaz e os detalhes são desimportantes quando comparados a isso. Mas o que importa é que, se um dia as memórias de minha promessa se esvaírem, bastará olhar para esse site para relembrar-me do que se passou.
E nem estou considerando que, tecnicamente, o projeto está apenas um quarto concluído…
É, se um de vocês desejar saber realmente o que é esse projeto… Acho que não um modo fácil de descobrir. Não haverá como saber se sou realmente eu. E essa era minha idéia desde o início. Eu queria que as pessoas olhassem para o mundo sem saber, realmente, onde e quando alguém que pudesse fazer algo “de bom” apareceria… O que certamente deve ter criado inúmeras risadas e revelações para algumas certas pessoas…
Então, eu espero que vocês saiam desse blog com mais do que uma mera tradução incompleta. Eu queria que mais pessoas entendessem que a bondade pode estar próxima de nós – muito mais próxima do que imaginamos -, e que basta olhar o mundo com o desejo de enxergar e afinco… Para que essas poucas pessoas se revelem.
Para essas pessoas que aprenderam alguma coisa no decorrer disso tudo… Eu deixo um presente que já poderia servir para me identificar se você tivesse como invadir certas conversas… Uma única pergunta que pode realmente mudar seu modo de enxergar o mundo…
Por favor, pensem bastante nessa pergunta. Ela é o resultado de mais de um ano de reflexão constante, e creio que deveria ser levada a sério. Não se contentem com uma resposta frágil. Sejam inquisitivos.
A pergunta, meu presente, é…
Quem é você?
…Se, por acaso, alguém desejar continuar a tradução… Sinta-se a vontade para fazer isso. Se conseguir me contatar – um grande feito em si só – então eu colocarei um link para seu site de tradução bem na página principal se eu ainda me lembrar da senha e do login.
Então, pessoal, isso é um adeus. Eu pretendia, realmente, dizer uma certa frase famosa do Guia… Mas eu não sou Douglas Adams… Eu sou eu, afinal, e não tenho a menor intenção de viver na sombra de alguém.
E, para os que leram essa coluna de texto… O rascunho da tradução, que eu carinhosamente chamo de Versão Zero Zero.
Versão Zero Zero – Last Chance to See
Então… Adeus. Eu tenho que ir.